Covid e indústria láctea: o que mudou?

jul 19, 2021

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“De toda crise nasce uma oportunidade.” Embora esta reflexão do autor Elton Moura Cândido tenha alguns anos, o mesmo pensamento é válido para os dias atuais. A pandemia da Covid-19 trouxe grandes desafios, mas também abriu um leque de oportunidades, bem como impulsionou caminhos já existentes.

Neste cenário, a cadeia do leite viu mudanças acontecerem em todos os elos do setor, desde o porteira adentro até o mercado consumidor. E, mesmo com todas as adversidades, se reinventou, adequou e remodelou processos, impulsionado uma transformação em cada elo.

A primeira mudança — que desencadeou e permitiu as demais — sem dúvidas foi o novo olhar para as pessoas. A crise da Covid-19 mudou a forma como nos relacionamos, e curiosamente, mesmo distantes, a conexão parece estar cada vez maior.

Nesta perspectiva, na indústria, o trabalho home office quebrou tabus e ganhou espaço, ao passo que aumentou a produtividade das empresas, principalmente nas áreas administrativas dos laticínios.

Além disso, a adesão de tecnologias e ferramentas digitais, encurtaram distâncias e otimizaram tempo. Por exemplo, no caso dos laticínios, onde a maioria das empresas tem fábricas em diferentes estados, reuniões presenciais com todos da empresa aconteciam esporadicamente. Atualmente, esses encontros acontecem de forma online, agilizando processos e tomadas de decisão estratégica entre as unidades fabris.

 

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Na linha de frente, isto é, nas áreas de produção e distribuição também houve mudanças significativas com adoção de rígidos protocolos de segurança. Além das medidas de higiene pessoal, os gestores encontram um grande desafio: restrição de mão-de-obra, com adequações de funções, remanejando e redesenho da equipe.

O setor de vendas dos laticínios também sofreu grande impacto. Primeiramente pela perda do contato pessoal vendedor – cliente que perdurou majoritariamente por anos. Com o isolamento social, as empresas e vendedores remodelaram seus processos de venda e formas de pedido por meio da utilização de ferramentas de automação, permitindo que este trabalho seja feito remotamente.

No aspecto do mercado, envolvendo a oferta e demanda, as indústrias enfrentaram um cenário totalmente atípico. Com o fechamento dos canais de food service foi preciso adequar processos e rever o mix de produção para pulverizar os produtos no varejo e atacado. Atualmente, com o avanço da vacinação e flexibilização das regras de isolamento social, o food service dá sinais de recuperação.

Ou seja, a lição que fica é: a pandemia reforçou ainda mais a necessidade de uma comunicação clara, objetiva e contínua entre os setores comercial, Planejamento e Controle da Produção (PCP) e chão de fábrica. Isso sinaliza que todos devem caminhar na mesma direção para atender a demanda atual do mercado.

 

 

Realizando o caminho inverso, isto é, saindo da indústria e chegando ao campo, o cenário pandêmico alavancou caminhos que já estavam sendo desenhados com o tempo. A aceleração da implantação da tecnologia remodelou os processos em toda a cadeia láctea com a maior inserção da indústria 4.0.

Nas propriedades leiteiras, vimos mudanças na coleta de leite e o uso de softwares na automação da emissão do vale ao produtor. Além disso, a pandemia intensificou a roteirização e mapeamento de percursos do transporte de leite, que já existiam pré-Covid.

Nas plataformas de recepção do leite na indústria, observamos uma transformação de dados, do manual para o digital, como, por exemplo, o peso dos caminhões de leite. Em outras palavras, toda cadeia passou por um trabalho de paperlessno qual informações manuais foram substituídas por integração de dados e sistemas.

Contudo, a mesma tecnologia que informatizou os processos em todo setor também trouxe os riscos oriundos do maior fluxo de dados pessoais pela internet. Neste cenário, podemos observar vazamento de dados de grandes empresas mundiais.

Por isso, houve um grande foco na implantação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) para estabelecer regras de coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais.

Nesta perspectiva, a indústria láctea também teve que se adequar aos conceitos da LGPD. Vale ressaltar que este aprimorando da gestão de dados resultou em custos operacionais adicionais para as empresas.

Para o futuro, o que podemos esperar? Sem dúvidas, a tecnologia não tem limites e as adversidades sempre surgem pelo caminho. Podemos vislumbrar um setor cada vez mais tecnológico, desde o produtor de leite até o mercado consumidor. Podemos citar, por exemplo, a rastreabilidade cada vez mais forte.

Agora sabemos: grandes desafios trazem grandes oportunidades! Tivemos mudanças e transformações ao longo de toda cadeia produtiva do leite, que, com certeza, vieram para ficar!

 

Fonte: MilkPoint

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